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Trabalho voluntário na Amazônia: 8 dias na RESEX com a Íris Social

expedicao amazonia iris social
Amanda Antunes
Escrito por Amanda Antunes

Quem me acompanha no Instagram, sabe que no Carnaval eu aproveitei pra fazer algo bem diferente. A Iris Social me convidou para a segunda edição da Expedição Amazônia na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns. Ou seja, chegou a tão sonhada hora fazer trabalho voluntário na Amazônia paraense!

Neste artigo você vai ler sobre:


Sobre a Expedição Amazônia

Com duração de 8 dias, a Expedição Amazônia tem uma programação muito legal. A Iris Social criou um roteiro combinando de turismo de voluntariado com turismo de base comunitária, onde a comunidade anfitriã se apropria de sua herança cultural e se empodera através da transmissão de conhecimentos tradicionais para o visitante.

É uma possibilidade de ganho econômico para o comunitário, de um turismo autêntico e sustentável para o viajante e uma forma de colaborar com uma organização social local, com anos de atividades.

Um roteiro pensado para te apresentar uma forma mais sustentável de fazer turismo, onde os ganhos se distribuem entre todos os envolvidos. A ONG parceira (Projeto Saúde e Alegria) recebe uma contribuição social, essencial para viabilizar os trabalhos na região.

comunidade tapajos

O legal é que com os projetos do Saúde e Alegria, a comunidade ganha uma nova alternativa de renda, através do roteiro turístico realizado em parceria com eles, e você participa de uma viagem diferente de tudo o que você já fez, crescendo como pessoa e vivenciando a cultura local de uma maneira experiencial.


Objetivo do voluntariado

Dentro trabalho social, nosso objetivo será contribuir nas atividades do CEFA, Centro Experimental Floresta Ativa, um projeto implementado pelo Projeto Saúde e Alegria e que trabalha com a capacitação dos comunitários da RESEX (Reserva Extratista Tapajós-Arapiuns).

O projeto busca modificar de forma gradual o atual sistema de produção baseado no “corte e queima” em prol de sistemas produtivos integrados, sustentáveis e permanentes, trabalhando com alternativas de geração de renda e preservando e fortalecendo o sistema amazônico.

Quais atividades que foram desenvolvidas?

As atividades de voluntariado serão voltadas para a área de meio-ambiente e sustentabilidade econômica dos povos da floresta, que vivem em comunhão com a mata há gerações. Serão atividades como a reposição florestal (reflorestamento), manejo de mudas nativas e a distribuição de mudas para os comunitários da Reserva utilizarem em seus plantios etc.

entrega mudas expedicao amazonia

Entrega de Mudas aos comunitários

Já acompanha o nosso Instagram? Segue lá @prefiroviajar!

Teremos a oportunidade de subir a bordo do B/M Saúde e Alegria, embarcação que nos levará para algumas comunidades ao longo do rio Tapajós para distribuir mudas para as famílias cadastradas no programa da ONG. Vamos passar uma noite dormindo em redes no barco, uma autêntica experiência ribeirinha na Amazônia.

Todas as atividades tiveram o acompanhamento da equipe técnica do CEFA, que estava nos orientando a todo o momento acerca dos procedimentos, tornando as atividades possíveis para qualquer pessoa, sem a necessidade de conhecimento prévio.


Turismo Comunitário

Uma coisa que achei muito legal, é que além de botar a mão na massa, está embutido no preço do seu pacote, uma contribuição individual no valor de R$ 500,00 para ser investido em projeto que ajudam os comunitários.

Como contrapartida, você tem a oportunidade única de visitar uma região intocada pelo turismo, com uma riqueza cultural imensa, apresentada a você em primeira mão, e por um valor muito abaixo do praticado em projetos de ecoturismo na região Amazônica.

trabalho voluntario amazonia

Farinhada com uma família local

Além disso, para que os participantes possam vivenciar o modo de vida das comunidades ribeirinhas, o roteiro inclui os aspectos marcantes da cultura local (tudo isso em parceria com os comunitários):

  • Dormir em rede,
  • Locomoção em barco pelos extensos rios da bacia amazônica,
  • Comida típica
  • Atividades culturais tradicionais, como a Farinhada (processo de manufatura da farinha de mandioca) e oficina para aprender o tradicional carimbó.

Infraestrutura da viagem (zero perrengue)

Apesar de localizado no meio da floresta, o CEFA conta com toda a estrutura que você precisa para aproveitar a viagem com segurança e conforto: energia solar, dormitórios completamente telhados, instalações sanitárias estruturadas e cozinha industrial completa.

Meu quarto

O meu quarto era super de boa. Contava com tela contra mosquitos, luz de led, uma cama, espaço para 3 redes e até um armário. Foi super tranquilo dividir o espaço com a Drelly e a Pri, sem falar que as noites eram bem fresquinhas!

quarta CEFA pará

Nós dormimos todos os dias na rede fornecida pela Íris Social e tivemos alguns cuidados básicos como:

  • Olhar sempre para o chão antes de colocar os sapatos;
  • Colocar os tênis em sacolas fechadas para evitar a entrada de insetos;
  • Usar sempre a lanterna para andar pelo CEFA à noite;
  • Sempre dar descarga antes de usar o banheiro para espantar as pererecas.

OBS: Eu vi poucos insetos e no meu quarto entraram apenas 2 aranhas e uns mini escorpiões. A galera do CEFA é super preparada e tirou toda a bicharada de lá bem rapidinho rs

Banheiro

O banheiro também foi uma grande surpresa. Ele era dividido para homens e mulheres e contava com 2 chuveiros e 2 privadas. Além disso, eles oferecem um tanque para lavar roupa, sabão em barra e um varal para estender a roupa!

Alimentação

Essa foi a minha parte FAVORITA da expedição (risos)! Eu acho que poucas vezes na minha vida eu comi tão bem! Tinham vários pratos típicos da região (o mousse de cupuaçu e o açaí ganharam meu coração), sem falar das opções veganas e vegetarianas.

comida paranse

No geral, todas as refeições principais contavam com 2 tipos de proteína macarrão, arroz, feijão e saladas diversas. Sério, tudo estava sempre muito delicioso!


Roteiro detalhado dos 8 dias

Dia 1 - 10/02
8h: Transporte em veículo privado saindo de Santarém com direção a Alter do Chão, onde pegaremos o barco que nos levará até a RESEX (aproximadamente 3h no total). Atividades introdutórias no barco.
12h: Chegada na RESEX e transporte para o CEFA. Instalação nos dormitórios.
13h: Almoço.
14h: Apresentação do complexo do CEFA com suas unidades demonstrativas.
16h: Transporte para a comunidade de Anumã para aproveitar a praia de rio doce.
18h30: Retorno ao CEFA.
19h: Jantar e noite livre.
Dia 2 - 11/02
7h30: Café da manhã.
8h: Atividades de voluntariado: oficina de produção de mudas: demonstração da sementeira, preparação da terra, colocar mudas nos sacos e manutenção das plantas nos viveiros.
12h: Almoço e pausa para descanso.
14h: Atividade lúdica na escola do Carão e oportunidade de conhecer um pouco da comunidade na companhia de um dos comunitários que ali residem.
19h: Jantar e noite livre.
Dia 3 - 12/02
7h30: Café da manhã.
8h: Atividades de voluntariado: recuperação de região desmatada através do plantio de mudas.
12h: Almoço e pausa para descanso.
14h: Farinhada: processo de manufatura da famosa farinha de mandioca, tradicional da região, a ser apresentada por uma família local. Oportunidade de colocar as mãos na massa e produzir um pouco de farinha para levar para casa.
19h: Jantar.
20h: Fogueira com roda de cantorias e histórias da região.
Dia 4 - 13/02

7h30: Café da manhã.
8h: Atividades de voluntariado: partimos a bordo do B/M Saúde e Alegria para visitar cerca de 6 comunidades do Tapajós e fazer a entrega de mudas para as famílias cadastradas. Passaremos uma noite no barco, na região do Polo Amorim, nos alimentando, tomando banho e dormindo no barco, numa autêntica experiência ribeirinha na Amazônia.

Dia 5 - 14/02
7h30: Café da manhã no barco.
8h: Atividades de voluntariado: vamos continuar a entregar as mudas para famílias cadastradas e conhecer como os comunitários estão fazendo uso delas para sua melhoria de vida. Aproveitamos para conhecer essa linda região do Tapajós.
12h: Almoço no barco.
13h: Retorno para o CEFA.
19h: Jantar.
20h: Exibição de um filme ao ar livre para a comunidade do Carão. Oportunidade de proporcionar uma atividade a que eles têm acesso em raríssimas ocasiões.
Dia 6 -15/02
7h30: Café da manhã.
8h: Atividades de voluntariado: recuperação de região desmatada através do plantio de mudas.
12h: Almoço e pausa para descanso.
14h: Momento de reflexão e debate sobre a experiência.
15h: Tarde livre para explorar a região.
18h: Jantar leve.
19h: Apresentação de boi e oficina de carimbó, hora de aprender os ritmos do Pará. Alguns quitutes paraenses serão disponibilizados para todos.
Dia 7 - 16/02
7h30: Café da manhã.
8h30: No nosso último dia de atividades, vamos nos despedir da região através de um passeio de barco pelo rio Arapiuns: transporte em veículo do CEFA até a comunidade de Arapiranga, onde pegaremos o barco para passeio de dia inteiro com destino à comunidade de São Miguel, onde vamos participar de uma oficina de artesanato ministrada pelo grupo de artesãs da comunidade. Almoço na comunidade de São Miguel incluído.
15h30: Retorno do barco para Arapiranga, onde pegaremos o transporte de volta ao CEFA.
19h: Jantar e noite livre.
Dia 8 - 17/02
7h30: Café da manhã.
8h30: Transporte para a comunidade de Anumã, onde pegaremos o barco que vai nos levar de volta a Alter do Chão.
11h: Transporte para Santarém.
12h: Fim da viagem.


O que está incluso no pacote?

  • A nossa contribuição financeira para as atividades de produção e distribuição de mudas e reposição florestal feitas em parceria com o Projeto Saúde e Alegria;
  • Acomodação em um dormitório para até três pessoas, dormindo em redes (fornecida por nós), nas instalações do Centro Experimental Floresta Ativa – CEFA, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (7 noites);
  • Refeições diárias incluídas (café da manhã, almoço, lanche e jantar). ATENÇÃO: Bebidas alcoólicas não estão inclusas e não serão permitidas nas instalações da ONG;
  • Todo o transporte terrestre e fluvial previsto no itinerário desde o ponto de encontro em Santarém até o encerramento das atividades em Alter do Chão;
  • Todos os custos com atividades culturais e turísticas previstas no roteiro;
  • Apoio total da equipe Iris Social durante a expedição.

Quem pode participar?

Todo mundo pode participar! O único requisito para participação é ser maior de 18 anos, sendo que experiência prévia em voluntariado não é necessária para aproveitar por inteiro esta experiência.

por do sol rio tapajos

Pôr do sol no Rio Tapajós

Crianças e jovens estão convidados a participar desde que acompanhados por um dos pais ou responsável legal. Limitações na capacidade de locomoção precisam ser avaliadas caso a caso, em vista da nossa permanência em comunidades pouco estruturadas.


Quanto custa a Expedição Amazônia?

A Expedição Amazônia custa R$ 2.600,00 por pessoa incluindo tudo que eu falei acima. As passagens aéreas não estão inclusas nesse valor e eu paguei R$ 1.100 (incluindo Manaus). Eu acho que consegui um bom preço, visto que era Carnaval e eu fiz 2 destinos com a mesma cia aérea.

As empresas que voam para Santarém são: Latam, Gol e Azul. Mas para economizar, dessa vez eu também usei o site 123.milhas e o Max Milhas.

O pagamento pode ser feito via transferência bancária em até duas parcelas, sem acréscimo, devendo a primeira ocorrer no ato da compra do pacote e a última em até 15 dias antes do início da viagem. Para mais informações é só você enviar um e-mail para oi.hola.hello@iris.social e dizer que viu as minhas dicas do Prefiro Viajar.


Mas vale a pena o investimento?

Essa foi a pergunta que eu mais ouvi depois que voltei da viagem. Ouvi muitas pessoas reclamando do preço e questionando sobre o voluntariado. Eu só tenho uma coisa a dizer depois de viver essa experiência: essa foi de longe a viagem que eu mais aprendi em toda a minha vida.

praia de rio resex

Eu, me senti muito envolvida e acolhida pela comunidade local. Fiz novos amigos (o grupo da expedição virou quase uma família) e percebi como vivemos em uma bolha. Conheci lugares que não são acessíveis para os turistas e vivi na pela as dificuldades e alegrias das comunidades ribeirinhas.

escola comunidade carao

Escola da Comunidade do Carão

Dancei carimbó, entreguei mudas, enfiei o pé na lama, comi frutas do pé que eu não sabia nem o nome, fiz farinha e recebi muitos abraços de crianças que mais pareciam uns anjinhos. Relembrei o real sentido de COMUNIDADE e me dei conta de como sou egoísta com coisas tão pequenas.

Os custos dessa viagem foram pequenos perto de tudo que eu vivi, comi e aprendi. Se eu pudesse dar um conselho pra você agora seria: se joga, porque experiências como essas são transformadoras!

Quem quiser saber mais sobre a Expedição Amazônia é só acessar o site da Íris Social e se informar sobre as viagens futuras. A Amandinha foi, aprovou e recomenda.

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Sobre o autor

Amanda Antunes

Amanda Antunes

Olá! Eu sou Amanda. Sou publicitária, criativa e apaixonada por fotos e viagens. Ao todo foram 3 intercâmbios e 24 países visitados. São muitas histórias para contar, porque eu Prefiro Viajar!

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