Centro-oeste Chapada dos Veadeiros Goiás No Brasil

Chapada dos Veadeiros com chuva vale a pena?

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Stefano Giorgi
Escrito por Stefano Giorgi

Respondendo ao título dessa postagem, sim, Chapada dos Veadeiros com chuva vale z pena e muito! Não vou mentir e nem ser exageradamente positivista. A bem da verdade, gostaria muito que tivesse feito sol em todos os momentos da minha viagem.

Entretanto, a Chapada dos Veadeiros é um lugar muito incrível, faça chuva ou faça sol. As paisagens, a energia, as pessoas, os pássaros… tudo contribui para formar o conjunto de um destino imperdível que tive o privilégio de visitar junto com minha namorada.

Sendo assim, vou dar algumas dicas para quem está indo para lá e viu na previsão que vai chover.

NÃO SE INTIMIDE COM AS NUVENS, O TEMPO MUDA TODA HORA

Apesar de aconselhar você a tomar cuidado com visibilidade e trombas d’água nos passeios, também aconselho a não desistir de conhecer lugares por causa da chuva. O tempo lá é muito louco, fecha do nada e abre do nada também. Não dá para prever.

Dia 1 – Cachoeira Santa Bárbara

No primeiro dia que chegamos na Chapada, fomos direto para a Cachoeira de Santa Bárbara (imperdível). Saímos de Brasília por volta das 6h da manhã e chegamos em Cavalcante, para contratar um guia, às 10h.

Demos sorte porque muitas vezes a atração lota e o viajante não consegue visitá-la. Mas também demos um pouco de azar. Depois que fizemos toda a trilha até a cachoeira, começou a chover assim que demos o primeiro mergulho. A cor da água era de um azul turquesa incrível, então o frio não intimidou, apesar de incomodar.

Saímos de lá ensopados e fomos almoçar em um restaurante que era casa de uma família da comunidade quilombola. E, depois do almoço, o céu ficou azul. As nuvens simplesmente foram embora e o sol brilhou. Então, fomos para a Cachoeira da Capivara.

O lado negativo por causa da chuva: a água estava turva. O lado positivo: a cachoeira estava incrivelmente cheia! Perde-se de um lado, mas ganha-se de outro.

CUIDADO NAS TRILHAS COM VISIBILIDADE E TROMBAS D’ÁGUA

Dia 2 – Vale da Lua e Mirante da Janela

No nosso segundo dia, aproveitamos que estava sol de manhã e fomos para o Vale da Lua, próximo de São Jorge onde estávamos hospedados. Vale da Lua é uma atração que é bom ir cedo, senão lota!

Acho que eu e minha namorada fomos os primeiros a chegar no local, lá antes das 9h da manhã. Pegamos um tempo lindo com o lugar quase vazio. Foi perfeito. Quando começou a encher de gente, fomos embora para o Mirante da Janela.

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O Vale da Lua e o Mirante da Janela são relativamente próximos e têm graus de dificuldade complementares (Vale da Lua não tem nem 800m de trilha e é uma caminhada praticamente plana enquanto o Mirante da Janela tem uns 7km de trilha com subidas e descidas em diferentes tipos de terreno).

Mirante da Janela

Iniciei a trilha do Mirante com minha namorada por volta das 13h. O sol nos castigava enquanto descíamos para a Cachoeira do Abismo. Ao longe víamos a chuva caindo pelo cerrado. Uma visão linda, daquelas que faz qualquer um sonhar acordado.

O calor era tão intenso que resolvi mergulhar na cachoeira antes de seguirmos nossa caminhada. Naquele ponto a cachoeira era um fiapinho de água que dava origem a uma piscina onde várias pessoas se refrescavam.

Conforme descíamos pelo Abismo, as nuvens se aproximavam. Eu achei que seria bom um pouco de chuva para nos refrescar. Mas não foi bem isso o que aconteceu.

Após fazermos toda a descida do Abismo e começarmos a caminhada até o início da subida para a Janela, o mundo desabou. O céu virou uma cachoeira inundando tudo ao nosso redor.

Olhando para trás, vimos que voltar não era mais uma opção. O fiapinho que era a Cachoeira do Abismo virou uma queda d’água que impedia a passagem para subirmos de volta ao começo da trilha. Sendo assim, seguimos em frente sabendo que a chuva uma hora ou outra teria que dar uma trégua. E estávamos certos, mas não contávamos com outro problema climático: neblina.

Conforme a tempestade de transformava em garoa, as nuvens começaram a baixar e a visibilidade foi ficando cada vez pior. Fomos nos guiando por vozes e barulhos vindos do alto, sabendo que tinha gente no Mirante da Janela. Mas, conforme as pessoas desciam, os sons ficavam menores. E não demorou muito para perdermos a trilha.

A gente poderia ter se ferrado, estilo aquelas histórias trágicas de casal que se perde na mata e nunca mais é achado. Não valia a pena arriscar. Então começamos a fazer o caminho de volta. E demos muita sorte! Encontramos um grupo com um guia que estava subindo para o Mirante.

Demoramos mais uns 20 minutos para terminar a trilha. Quando chegamos ao topo, tivemos uma visão de tirar o fôlego, mas não no bom sentido. Andamos aquilo tudo para chegar lá em cima e estar tudo branco! Não dava para ver absolutamente nada.

E, pior, a eletricidade das nuvens era tanta que meu cabelo estava ficando em pé – o que significava que a qualquer momento poderia cair um raio por ali. Não tínhamos outra escolha a não ser procurar abrigo.

Não sei se meu corpo produziu endorfina demais com a caminhada ou se foi pela energia do lugar, mas não consegui ficar irritado. E minha namorada também não. Estávamos praticamente sozinhos ali em cima, vendo a chuva cair e dando risada daquela situação. E, pouco a pouco, o branco foi melhorando, revelando parte da paisagem.

Saímos debaixo da pedra onde estávamos abrigados para ver aquele espetáculo da natureza. Entre nós e a vista da Chapada dos Veadeiros, um conjunto de nuvens passava, como um rebanho de ovelhas ou uma frota de embarcações dando pinceladas .

E, depois que as nuvens passaram, vimos a vista, abraçados ali no alto do Mirante da Janela praticamente sozinhos. Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

A CHAPADA É ENORME, CHOVE EM UM LUGAR, MAS PODE ESTAR SOL NO OUTRO.

A trilha do Mirante da Janela debaixo de chuva nos deixou bem cansados. Por isso, no dia seguinte, resolvemos fazer um programa mais relaxante que não fosse afetado pela chuva. Escolhemos ficar para os lados de São Jorge e ir nas piscinas de águas termais do Morro Vermelho.

Não tardou para a chuva cair por ali, mas não incomodou em nada. Ficamos ali cozinhando na água quente sem a menor preocupação.

Como o tempo de lá é doido, não tardou também para abrir. Aproveitamos para visitar uma atração pouco explorada da Chapada: a Pedra Escrita – um enorme rochedo cheio de pinturas rupestres ao final de uma trilha fácil de 1km.

Pedra Escrita

E, ao sairmos da Pedra Escrita, choveu novamente deixando claro que o sol não daria as caras para o lado de São Jorge naquele dia. Sendo assim, partimos rumo a Alto Paraíso.

De São Jorge a Alto Paraíso são uns 30-40min de estrada. É surpreendente como o céu muda. De um lado pode estar caindo o mundo que de outro pode estar com sol brilhando. No nosso caso, deixamos a Pedra Escrita debaixo de tempestade e aproveitamos a trilha da Cachoeira das Loquinhas com o resto da tarde ensolarada.

Uma trilha bem fácil, com decks de madeira montados para formar uma enorme passarela que dá acesso a diferentes piscinas naturais e quedas d’água. Perfeito para recuperarmos a energia do dia anterior.

UM POUCO DE CONFORTO NÃO VAI FAZER MAL…

Pode parecer besteira ou frescura, mas ter um pouco de conforto depois de uma trilha debaixo da chuva é ótimo.

Dia 3 – Almécegas e Vila de São Jorge

No nosso último dia na Chapada dos Veadeiros, fomos fazer a trilha das Almécegas I e II. Lugar estava cheio de gente que não se intimidou com as nuvens e contava com o sol aparecendo em algum momento do dia. O que apareceu, no lugar do sol, foi a chuva, que encheu as cachoeiras.

A chuva foi tão forte que estava arriscado entrar na Almécegas I. Na II também, mas eu e muita gente não nos importamos. Essa 2ª queda é espetacular e não dava para resistir.

Além disso, vi um filhote de coruja se afogando e resolvi dar uma de Ace Ventura resgatando o bicho (tirei a corujinha da água e coloquei ela em um lugar alto e seco, protegido da chuva e de quem passava).

Saindo de mais um dia de passeio encharcados, fomos nos secar no quarto onde estávamos hospedados. Seguindo a recomendação da minha amiga Cris Marques (@raizesdomundo), que conhece a Chapada como ninguém, resolvemos ficar no Tauiá, reservando um quarto com quase um mês de antecedência. O valor foi bem em conta e teria sido ainda melhor se tivéssemos ficado em barraca.

Entretanto, ficar em barraca embaixo de chuva teria sido uma baita cagada. Apesar do espaço do Tauiá ser muito acolhedor e os funcionários atenciosos, vi uma galera sofrendo ao acampar na tempestade.

Secos, saímos para nosso último jantar em Vila de São Jorge. Fomos para um lugar que vimos indicações por placas em diferentes estradas que aguçaram nossa curiosidade: a Risoteria Santo Cerrado.

Entre as inúmeras opções do cardápio, optamos pelo risoto do Goiano Pé Rachado, que comemos sentados em almofadas no chão no 2º andar da risoteria de frente a um janelão, apreciando a chuva cair do lado de fora enquanto estávamos secos e aquecidos do lado de dentro. Foi a escolha perfeita.

VOLTE FORA DA ÉPOCA DE CHUVAS

Na mesma noite em que fomos na Risoteria Santo Cerrado, aproveitei para passar na capela de São Jorge e agradecer a Deus e ao Santo por todas as bênçãos de mais uma viagem incrível. E, aproveitando que tinha entrado naquela igrejinha pela primeira vez, aproveitei para fazer um pedido: o de voltar para a Chapada dos Veadeiros.

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Sobre o autor

Stefano Giorgi

Stefano Giorgi

Stefano Giorgi ou @ststefano é autor do bestseller GiraMundo, criador do Diário do Suicida Diário, viajante inconsequente, Thor de carnaval e redator de conteúdo digital nas horas vagas. É dele a famosa frase: a vida é ninfomaníaca, ela me phode todos os dias.

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